Entrevista com Tieri Wince

Entrevista indie: Na íntegra com o diretor de arte e ilustrador paulista de 28 anos, Tieri Wince.

Por que arte?
É uma forma de me sentir bem. Feliz ou triste, é uma boa brincar com arte. Serve pra me acalmar quando não estou tão contente ou pra me deixar ainda mais feliz quando já estou bem. Fico satisfeito em ver algo que estava em minha mente tomando forma. Assim posso mostrar o que fiz para meus amigos e saber o que eles pensam a respeito.

Como você começou a criar?
Desenhando em casa. Gostava de inventar personagens e dar nomes para eles.

Como é seu processo criativo?
Normalmente estou pensando em algo que gosto, daí me pergunto como seria se estivesse acontecendo tal coisa. A ideia toma algumas formas e cores em minha cabeça e depois eu sento pra desenhar. Sempre ligo o som. O que eu estou ouvindo também influencia bastante no resultado. O ritmo e a pegada da música meio que dita a forma como vou rabiscar, moldam minhas vontades.

Gosto de rabiscar com lapiseira. Mas ultimamente tenho usado o Illustrator para desenhar e pintar. Me adaptei com o estilo que desenvolvi e acho que as cores ficam bem legais. Bem preenchidas. Gosto do resultado.

O que te inspira?
A música me inspira. Eu quase sempre tenho vontade de fazer algo novo enquanto estou ouvindo um som. Elas causam um movimento bem legal na minha mente e me ajudam a ter novas vontades e ideias. Mas saber que as pessoas estão dedicando um tempo do seu dia para ver algo que eu fiz e estão gostando, também me deixam bem feliz e dão um propósito ao que faço. Uma cena bem legal de filme também pode ser uma faísca para alguma nova brincadeira.

Você percebe algum tema recorrente na sua arte?
Pessoas do cotidiano mas com um visual incomum. Elas podem ser tão feias ou coloridas que pareçam ser de um outro planeta. De fato elas podem ser de outro lugar, do mundo dos pensamentos, ou simplesmente desse mesmo, mas da forma como a gente se imagina. Digamos que eu me veja sendo aquele carinha roxo de cabelo amarelo, mas só sei que não sou porque me olhei no espelho. Eles tem profissões humanas comuns. São bailarinas, barbeiros, escoteiros, mas são muito feiosos e tem visual incomum. As cores que eu uso são escolhidas a partir de lembranças de coisas que eu via na infância, relacionadas ao mundo do skate ou de algum álbum de rock que estava sempre em minhas mãos.

Por que as mini-histórias?
Eu comecei o projeto das mini histórias porque eu queria escrever algo. Na época não sabia se ia escrever uma música, ou um roteiro, mas eu queria dizer algo com palavras para as pessoas.
Eu já tinha um projeto de ilustras onde eu escrevia um título para cada um dos personagens, mas eu queria dizer algo mais. Queria algo que também falasse com quem tem dificuldade em entender a arte apenas de forma visual e com um formato que se encaixasse bem no Facebook e no Instagram. Então encontrei um padrão unindo desenhos e texto para descrever os personagens que eu imaginei, contando o nome da pessoa e em seguida alguma peculiaridade do seu cotidiano. Em quase todos os contos que fiz até agora eu descrevo algo bem provável de ter acontecido…como acordar cedo e pegar o trem para ir trabalhar…e em seguida eu coloco alguma bobagem pra deixar o personagem mais interessante e as vezes engraçado. Penso que o propósito desse projeto é fazer com que as pessoas se identifiquem com os personagens e riam do que acontece seja na encrenca ou na diversão.

O lugar aonde você nasceu influência na sua criação?
Sim. Sou de Itaquera. Tem muito da cultura do skate por lá. Além da arte de rua. Acho que desenhar close de rostos vem um pouco daí. Era bem comum ver esse tipo de close desenhados nos muros do bairro.

O que te motiva?
Me motiva ver meus pais contentes quando eu faço algo. Quero retribuir as coisas boas que eles fizeram por mim.

Quais são seus artista preferidos?
Gosto do Masami Kurumada e do Shingo Araki por causa dos Cavaleiros do Zodíaco, que foi um desenho que eu assistia quando pequeno e gostava bastante.
Também gosto do ilustrador e designer gráfico francês Shane Hello.

O que você gosta no mundo da arte?
Gosto da imprevisibilidade. Do poder de mudança que pode causar nas pessoas e em sí mesmo. Sem ninguém te forçar a nada você pode se transformar olhando algo. Quando tiver vontade e pronto pra aprender algo novo ou simplesmente mudar de opinião, ver as coisas de outra forma. Você simplesmente fica olhando para um objeto de arte e o estuda até entender, seja lá o que no final das contas signifique para você.

O que você não gosta no mundo da arte?
Antes da internet, as chances de alguém que estivesse começando ter seu trabalho divulgado eram bem pequenas. A televisão e a mídias impressas eram canais que davam mais espaço para os artistas já consolidados, com peças publicadas e premiadas. Existiam divulgações de amadores em forma de concursos ou em uma ou outra matéria, mas o investimento era bem menor. Mas as redes sociais mudaram isso deixando o ambiente mais justo, ainda bem. O jogo está mais acessível pra todo mundo. Se você se esforçar para conseguir entregar algo bom, certamente vai ser reconhecido.

Qual o seu objetivo com arte?
Me sentir bem em primeiro lugar, e fazer coisas legais que as pessoas possam gostar de ver.

 

Acompanhe o trabalho do artista: instagram.com/tieriwince

 

COMPARTILHAR

Mariana Pinheiro

O desenho e as artes visuais sempre foram minha maior fonte de inspiração e de expressão.
Designer e tattoo artist carioca.
Criadora e curadora da indie.